ACT 2018/2019 - PROPOSTA DA COPEL É REJEITADA EM MESA PELOS SINDICATOS.
TRABALHADORES COPELIANOS ESPERAM MAIS RECONHECIMENTO
As negociações do ACT 18/19 tiveram dia cheio nessa quinta, 13/09, ocupando o período da manhã e da tarde. No período da manhã foram discutidos itens administrativos e funcionais da Pauta de Reivindicações dos Copelianos. No período da tarde a reunião entrou nos pontos mais aguardados por todos: as itens remuneratórios e salariais. Pela urgência que copelianos e copelianas dão a saber sobre a proposta salarial da Copel, vamos relatar nessa matéria as informações relativas a esse ponto e em seguida, nos próximos dias, informar em detalhe sobre o conjunto da negociação.
COMO A EMPRESA APRESENTOU O CONTEXTO
No tratamento da questão salarial, os representantes da Copel pontuaram que as circunstâncias do cenário regulatório do setor elétrico exigem precauções, porque o modelo persegue resultados que exigem controle de gastos com pessoal, automação de serviços e cumprimento de metas diversas. A renovação da concessão da empresa depende de cumpri-los.
Argumentaram que dentro desse contexto regulatório se preocupam em ajustar os procedimentos da empresa, mantendo os empregos dos trabalhadores. Disseram que sua responsabilidade como gestores é com o que possa ser melhor para todos, incluindo os acionistas e os empregados.
COMO OS SINDICATOS REBATERAM OS ARGUMENTOS
Os sindicatos posicionaram sua avaliação com base em levantamentos do DIEESE sobre a situação da empresa e o desempenho dos trabalhadores. Diferente dos argumentos da empresa, os dados relatados pelo DIEESE apontaram os lucros crescentes e os bons indicadores alcançados nos últimos anos. Os dados apontam ampliação dos dividendos dos acionistas, enquanto os salários acumulam perdas.
CONHEÇA A PROPOSTA
Depois de colocadas as avaliações, a Copel apresentou a seguinte proposta:
• Reajuste salarial pelo INPC (estimativa da copel é de 3,64%. Estimativa do DIEESE é que fique em 3,94%;)
• Abono salarial de 0,25 de uma remuneração básica, mais o valor linear de R$ 2.261,27;
• Auxílio alimentação: corrigir pelo INPC-Alimentação e excluir a 13ª parcela, em função de questionamentos do Ministério do Trabalho. Obs.: O INPC-Alimentação está resultando em índice menor que o INPC geral.
• Vale lanche: corrigir pelo INPC-Alimentação. Obs.: O INPC-Alimentação está resultando em índice menor que o INPC geral;
• Auxílio Creche mantido como está (R$ 450,00), sem melhorias. A Copel alega que não vai melhorar, em razão de haver ações judiciais em torno desse benefício;
• Auxílio pessoa com deficiência: corrigir pelo INPC
• Férias: manter o que pratica hoje, sem correções. Está estudando possibilidade de parcelamento das férias em três períodos;
• Auxílio Educação: manter o procedimento e valores atuais. Mas a empresa acena ser necessário rever o modelo posteriormente, no sentido de restringir o benefício às áreas de estudo de interesse da empresa;
• Gratificação de função: manter os valores praticados, corrigindo pelo INPC, sem estender o benefício a outras funções.
SINDICATOS REJEITARAM EM MESA
A proposta da Copel foi rejeitada pelos dois coletivos sindicais em mesa de negociação, tão logo foi apresentada.
Os sindicatos registraram sua posição de que os copelianos sempre se empenharam pela empresa e mais ainda em seus momentos de dificuldade seja diante de problemas de gestão, ou das necessidade de cumprir metas. No ano passado já fecharam um acordo insatisfeitos com uma proposta abaixo do esperado. Nesse ano, com boa saúde financeira e boas perspectivas futuras, consideram inconcebível a proposta que foi apresentada.
Os dirigentes sindicais colocaram aos negociadores da Copel que não apenas os acionistas e o mercado precisam ser atendidos, mas também os copelianos, sob pena de começarem a ver a empresa pela qual lutam continuamente se tornar um emprego a mais, sem interesse e sem retorno.
A posição dos sindicatos foi exigir da empresa uma nova reunião, onde a proposta melhore substancialmente.
NOVA REUNIÃO DIA 26
Nova rodada de negociação ficou agendada para 26 de setembro, começando pela manhã. Na opinião dos sindicatos, até lá é hora de copelianos e copelianas deixarem claro seu descontentamento, de modo que isso fique claro aos que dirigem a empresa.
DADOS MOSTRAM QUE SITUAÇÃO DA COPEL PERMITE PROPOSTA BEM MELHOR
Com base nos dados de balanço da Copel, o economista Fabiano Camargo, do DIEESE – Departamento Intersindical de Estudos socioeconômicos, reuniu para os sindicatos um conjunto de indicadores sobre a situação da Empresa, que mostra ser boa a saúde administrativa e financeira, o que permite uma proposta bem melhor que a apresentada.
Situação do lucro líquido melhorou no cenário recente: O lucro líquido da Copel em 2016 foi de R$ 874 milhões e 472 mil. Foi menor que nos três anos anteriores. Mas em 2017, cresceu para R$ 1 bilhão, 118 milhões e 255 mil. Se no período 2015/2016 houve baixa de -30,90% no lucro líquido, o período 2016/2017 mostrou recuperação de 27,88% na margem de lucro. A situação é de melhora no cenário recente.
Patrimônio líquido vem crescendo ano-a-ano: O patrimônio líquido da Copel em 2016 correspondeu a R$ 14 bilhões, 978 milhões e 142mil. Cresceu 2,70% no período 2015/2016. Já em 2017, o patrimônio correspondeu a R$15 bilhões, 510, milhões e 503 mil. Novo crescimento no período 2016/2017, correspondente a 3,55%. O patrimônio líquido da empresa vem crescendo ano a ano, sem quedas.
Patrimônio líquido é a diferença entre os ativos da empresa, ou seja, seus bens e geradores de divisas, e o passivo, ou seja, suas dívidas e obrigações. Também desse ponto de vista, a Copel vai bem.
Receita operacional cresceu 7,04% em 2017: A receita operacional da empresa, ou seja, suas vendas de energia e outros serviços, foram de R$ 13 bilhões 101 milhões e753 mil em 2016 para R$ 14 bilhões, 024 milhões e 573 mil em 2017. Saíram de um momento negativo em 2015/16, de -11,04%, para um crescimento de 7,04% em 2016/17.
Margem EBITDA cresceu 6,52% em 2017: O potencial de gerar lucro da Copel (EBITDA/LAJIDA) teve situação negativa em 2016, ficando mais baixa que no ano de 2015 em -3,77%, mas recuperou-se em 2017, ficando 6,52% acima do período de 2016.
A margem EBITDA abreviatura do inglês, ou LAJIDA, abreviatura do português, indica o potencial de lucratividade acima dos fatores que podem diminuí-los. É um outro indicador de situação positiva.
LUTAR É FUNDAMENTAL! PARTICIPAR É FUNDAMENTAL! VOCÊ É FUNDAMENTAL!