O caminho para um Brasil menos desigual passa por sindicatos mais fortes.

Países escandinavos combinam alta sindicalização, negociações coletivas e baixa desigualdade salarial como pilares de seu sucesso socioeconômico.

A desigualdade social no Brasil é um tema amplamente conhecido e reiterado por rankings internacionais, como o World Income Inequality Database. O país ocupa a 10ª posição entre os mais desiguais do planeta, com um índice de Gini de 51 pontos, enquanto os Estados Unidos, apesar de serem um país rico, estão em uma posição relativamente mais confortável, com 40 pontos e ocupando o 60º lugar.

Ao observar os países menos desiguais, a Escandinávia desponta como referência. Nações como Noruega, Suécia e Dinamarca combinam baixa desigualdade de renda (índice de Gini entre 28 e 30), altos Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) e renda per capita semelhante à dos EUA.

Mas o que justifica o sucesso desses países na distribuição de renda?

Negociação coletiva: o diferencial nórdico

Segundo um estudo publicado pelo National Bureau of Economic Research, o principal fator que explica a menor desigualdade nestes países é o sistema de definição salarial altamente coordenado por meio de negociações coletivas. Nos países escandinavos, cerca de 90% da força de trabalho está coberta por acordos salariais coletivos, mesmo que apenas 62% sejam sindicalizados. Em contraste, nos EUA essas taxas são, respectivamente, 10% e 10%.

Essa alta coordenação salarial, combinada com políticas flexíveis de ajustes locais, permite aos escandinavos reduzir disparidades salariais de forma significativa. Além disso, os governos da região investem em incentivos ao emprego, como treinamentos e subsídios, mas o nível de regulação trabalhista varia: enquanto Dinamarca apresenta grande flexibilidade, Suécia e Noruega são mais reguladas. Os desafios brasileiros: informalidade e baixa sindicalização

No Brasil, o caminho para alcançar padrões escandinavos é repleto de barreiras estruturais. A alta informalidade atinge cerca de 50% da força de trabalho, dificultando os impactos de avanços na legislação trabalhista ou acordos coletivos. Além disso, a baixa produtividade é um grande entrave: segundo o Banco Mundial, a renda per capita brasileira é três vezes menor que a da Finlândia, a economia "mais pobre" dos países nórdicos.

Outro fator crítico é a baixa sindicalização. Dados do IBGE mostram que o percentual de trabalhadores sindicalizados caiu de 16,1% em 2012 para 8,4% em 2023, número inferior ao dos EUA. Mudanças recentes, como o fim da contribuição sindical obrigatória e o aumento de modalidades como MEI e pejotização, agravam o cenário.

O caminho para reduzir a desigualdade

Para que o Brasil se torne a "Escandinávia dos trópicos", será necessário adotar uma série de medidas, como: • Reforma trabalhista que reduz custos sem comprometer direitos básicos; • Aumento da produtividade, com maior investimento em educação e infraestrutura; • Fortalecimento da sindicalização e ampliação de acordos coletivos.