O setor elétrico brasileiro – tendências e desafios para os trabalhadores

O setor elétrico brasileiro enfrenta desafios significativos relacionados à valorização dos empregados, com relatos de alta rotatividade de talentos e preocupações sindicais sobre a precarização do trabalho, especialmente após processos de privatização.

No entanto, existem iniciativas pontuais de empresas que buscam promover o engajamento e a inovação interna.

Desafios na Valorização Profissional

Alta Rotatividade:

Um estudo realizado pela Fesa Group com 24 empresas do setor de energia revelou um índice médio de rotatividade (turnover) de funcionários de 13,66% nos últimos dois anos. Esse cenário é impulsionado, em parte, pela busca por inovações tecnológicas e soluções sustentáveis, resultando em escassez de talentos qualificados.

Impacto das Privatizações:

A redução de postos de trabalho tem sido uma consequência notável do processo de privatização do setor elétrico desde 1994, justificada pelo aumento da rentabilidade, mas gerando preocupações sobre o nível de emprego e a segurança dos trabalhadores mais experientes.

Precarização do Trabalho:

Sindicatos, como o dos Eletricitários de São Paulo, apontam a necessidade de garantir a valorização real da categoria, defendendo um piso salarial digno e melhores condições de trabalho. Há exemplos de terceirização onde os salários são baixos (cerca de R$ 1,5 mil), com metas que podem pressionar os funcionários.

Iniciativas e Tendências Positivas

Apesar dos desafios, algumas empresas e o próprio crescimento do setor de energias renováveis mostram um caminho para a valorização dos colaboradores:

Programas de Engajamento e Inovação:

Empresas como a Neoenergia (através da Elektro) criaram programas de engajamento para colaboradores. A CPFL Energia também implementa iniciativas que transformam boas ideias dos funcionários em soluções inovadoras para o negócio, incentivando o "intraempreendedorismo".

Crescimento e Geração de Empregos:

O setor de energias renováveis é um destaque positivo na geração de empregos. O Brasil foi o terceiro país que mais gerou empregos em energia solar no mundo em 2024, segundo relatório da IRENA e OIT. A expansão da energia solar e eólica cria novas oportunidades e demanda profissionais qualificados.

Foco em ESG:

A crescente relevância dos fatores Ambientais, Sociais e de Governança (ESG) no setor elétrico sugere uma mudança de cultura, com foco nas pessoas e na governança responsável, o que pode impulsionar práticas mais consistentes de valorização dos colaboradores a médio prazo